Uma nova pesquisa brasileira revela que óleos essenciais extraídos de plantas comuns podem se transformar em aliados poderosos no combate à lagarta do cartucho, uma das pragas que mais prejudicam o milho, a soja e outras culturas de alto valor no país. O estudo avaliou três óleos essenciais (Cinnamodendron dinisii, Eugenia uniflora e Melaleuca armillaris) e demonstrou que eles afetam diretamente o desenvolvimento e a sobrevivência da Spodoptera frugiperda, oferecendo uma alternativa mais sustentável ao uso intensivo de inseticidas sintéticos.
Em experimentos de laboratório, os óleos essenciais mostraram capacidade de causar mortalidade rápida das lagartas, alterar seu crescimento e até reduzir sua capacidade de reprodução. Entre eles, o óleo de Eugenia uniflora, extraído da pitangueira, apresentou o efeito mais potente mesmo em baixas doses. Isso indica que compostos naturais presentes na planta podem atuar de forma direta sobre o sistema nervoso e hormonal do inseto, causando desorientação, interrupção do desenvolvimento e morte.
Além disso, análises computacionais revelaram que moléculas presentes nesses óleos conseguem interagir com alvos biológicos essenciais para a sobrevivência da praga. Isso abre caminho para o desenvolvimento de bioinseticidas baseados em extratos vegetais, com ação multitarefa e menor chance de gerar resistência. A natureza química desses compostos também favorece a rápida degradação ambiental, reduzindo impactos sobre polinizadores, inimigos naturais e mamíferos.
A pesquisa reforça o potencial dos óleos essenciais como uma estratégia promissora para um manejo mais sustentável no campo, especialmente em sistemas que buscam reduzir a dependência de químicos sintéticos. Como vários desses óleos podem ser extraídos de plantas abundantes no Brasil, o uso agrícola pode se tornar economicamente viável e ambientalmente seguro.
Oliveira JAC et al. Effects of Essential Oils on Biological Characteristics and Potential Molecular Targets in Spodoptera frugiperda. Plants, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.3390/plants13131801