Óleos essenciais revelam como podem agir como inseticidas naturais por meio de uma tecnologia inédita

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Nesta pesquisa inovadora, demonstramos que os óleos essenciais, muito conhecidos por seu uso em cosméticos e aromaterapia, têm um papel muito mais poderoso quando o assunto é agricultura sustentável. O estudo revelou, com precisão molecular, como os compostos presentes nesses óleos conseguem afetar o organismo de insetos-praga, abrindo caminho para a criação de inseticidas naturais mais eficazes e seguros para o meio ambiente.

Nossa equipe desenvolveu uma nova metodologia que combina simulações computacionais, análises químicas e modelos de aprendizado de máquina. Essa ferramenta permitiu prever como cada molécula dos óleos interage com proteínas essenciais para o desenvolvimento e o comportamento dos insetos. A análise mostrou que os compostos mais comuns nos óleos essenciais, como monoterpenos e sesquiterpenos, têm grande chance de interferir em três alvos biológicos importantes: proteínas reguladoras do hormônio juvenil (JHBP e MET) e receptores de octopamina, que afetam o movimento, o comportamento e a metamorfose dos insetos.

Essa atuação multitarefa ajuda a explicar por que tantos óleos essenciais apresentam efeitos como repelência, mortalidade de larvas, inibição da metamorfose e até redução na postura de ovos. Compostos como o E-Nerolidol, por exemplo, já eram conhecidos por prejudicar o desenvolvimento de insetos, e a nova metodologia confirmou essa ação ao demonstrar que ele se encaixa nos alvos biológicos mais sensíveis dos insetos. Para validar as previsões, realizamos testes com o óleo essencial de Baccharis dracunculifolia, uma planta comum no Brasil. Nos bioensaios, o óleo causou alta mortalidade em moscas de importância agrícola e sanitária, além de provocar comportamentos característicos de falhas neuromusculares, exatamente como previsto pelos modelos computacionais. Esses resultados mostram que os óleos essenciais não agem de forma aleatória. Pelo contrário, eles atuam de maneira semelhante aos inseticidas comerciais, mas com vantagens importantes: menor toxicidade para mamíferos, rápida degradação no ambiente e baixa probabilidade de gerar resistência em pragas. Isso reforça o enorme potencial dos óleos essenciais como alternativas naturais para o controle agrícola, especialmente em um cenário global que exige soluções menos poluentes e mais sustentáveis. Esta pesquisa abriu caminho para o desenvolvimento de bioinseticidas de última geração, baseados em compostos vegetais abundantes e de atuação precisa. Uma perspectiva promissora para produtores que desejam reduzir custos com químicos tradicionais e fortalecer práticas agrícolas mais seguras.

Corrêa EJA et al. Elucidating the molecular mechanisms of essential oils' insecticidal action using a novel cheminformatics protocol. Scientific Reports, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1038/s41598-023-29981-3

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