Óleos essenciais podem ajudar a combater microrganismos que afetam plantas, animais e ambientes rurais

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Nesta pesquisa, nós buscamos entender como os óleos essenciais podem agir como antimicrobianos naturais, capazes de combater bactérias e fungos relevantes para a produção agropecuária. Sabemos que esses óleos são usados há muito tempo para controle sanitário, mas ainda faltavam ferramentas que nos permitissem prever quais compostos realmente têm potencial biológico e como eles interagem com alvos moleculares dos microrganismos.

Para isso, criamos uma abordagem integrada que combina química computacional com experimentos biológicos. Primeiro, montamos uma grande biblioteca virtual com mais de sete mil moléculas presentes em diferentes óleos essenciais. Em seguida, fizemos simulações de docking para prever como cada molécula poderia se encaixar em proteínas essenciais para a sobrevivência de microrganismos, como enzimas ligadas à divisão celular, formação de membrana e mecanismos de comunicação bacteriana.

Depois, aplicamos métodos de quimioinformática para agrupar essas moléculas em padrões estruturais e prever quais grupos químicos seriam mais prováveis de causar impacto biológico. O resultado desse processo nos mostrou que compostos como a bisabolol e seus derivados oxidativos se destacaram por interagir com diversos alvos microbianos importantes, incluindo proteínas de divisão celular e enzimas envolvidas na biossíntese de ergosterol, um componente vital das membranas fúngicas.

Além das análises computacionais, também testamos, em laboratório, óleos essenciais de quatro espécies amplamente usadas na agricultura e medicina tradicional. Observamos que o óleo essencial de Mentha piperita apresentou a ação antimicrobiana mais intensa, com resultados expressivos contra bactérias e fungos que causam doenças em animais e humanos. Outros óleos, como o de Chamaemelum nobile, também mostraram amplo potencial de interação com alvos microbianos, reforçando seu valor como alternativa natural.

Mesmo quando a correlação entre o modelo computacional e os testes laboratoriais não foi alta, conseguimos identificar uma tendência: muitos óleos essenciais atuam em múltiplos alvos ao mesmo tempo, algo que pode explicar seu efeito potente e sua baixa capacidade de gerar resistência microbiana.

Com isso, mostramos que integrar docking molecular, quimioinformática e testes biológicos é uma estratégia eficaz para acelerar a descoberta de novos antimicrobianos naturais. Essa abordagem apoia o desenvolvimento de soluções mais sustentáveis para o setor agropecuário, permitindo o uso de óleos essenciais como ferramentas seguras, biodegradáveis e de amplo espectro.

Corrêa EJA et al. Integrating molecular docking and chemoinformatics for predicting antimicrobial activity of essential oils. Journal of Essential Oil Bearing Plants, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1080/0972060X.2025.2561266

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